sábado, 24 de julho de 2010

Software Educativo Multimédia

Carvalho, Ana Amélia Amorim (2005). Como olhar criticamente o software educativo multimédia. Cadernos SACAUSEF – Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e a Formação: Utilização e Avaliação de Software Educativo, Número 1, Ministério da Educação, 69-82, 85-86.

As potencialidades do software educativo multimédia são concretizadas ao nível da aprendizagem, da motivação e da autonomia dos utilizadores.

Para que ocorra aprendizagem com o software educativo multimedia existem três condicionantes, nomeadamente: a qualidade científica, pedagógica e técnica; a familiaridade do utilizador com o sistema informático e com o conteúdo (conhecimentos prévios); o gosto que o utilizador mostra pela aprendizagem.

Relativamente à qualidade científica, este factor é imprescindivel para que o utilizador possa aprender correctamente, independendente do nível etário a que se destina. Assim, um software educativo multimédia deve ser analisado não só por peritos da área científica e pedagógica, como também por peritos em interacção pessoa-computador, sendo avaliada a qualidade técnica, a consistência da interface e o nível intuitivo da mesma. Cabe ao professor escolher o software adequado aos seus alunos e, antes de o aplicar, deve previamente explorá-lo de modo a usufruir das suas totais potencialidades e a poder sugerir as actividades que os seus alunos devem percorrer, indicando as actividades que, à partida, possuem mais potencialidades para desenvolverem capacidades de raciocínio, da associação, de dedução e de coordenaçãoóculo-manual, entre outras.

Neste artigo, a investigadora refere vários aspectos a ter em atenção quando se pretende olhar criticamente um software educativo multimédia. Assim, para além da qualidade científica do conteúdo, deverá ser analisado:

· a caixa – devem aparecer indicações que permitam identificar o título, o ano de edição, a editora, os destinatários, os objectivos, a língua usada, tanto nos textos como na locução, e os requisitos do sistema. Caso o software seja específico para uma determinada disciplina e ano de escolaridade, o mesmo deve ser explicitado.

· o início/apresentação – deve ser dada a possibilidade de saltar esta parte uma vez que quando se inicia o software pela primeira vez, o início/apresentação pode ser interessante. No entanto, nas utilizações posteriores esta parte torna-se prescindível;

· o menu – deve estar sempre disponível, para facilitar a navegação e a exploração da informação, e apresentar as actividades existentes ou as principais, podendo desdobrar-se em outras opções, estas em outras opções, e assim sucessivamente.

· a navegação – o utilizador deve ter a informação necessária para a navegação ser facilitada. Esta informação pode ser dada através de menus, setas e as palavras de (hiperligações) inseridas no texto;

· a estrutura do software condiciona a liberdade de navegação do utilizador e pode ser linear ou sequencial, hierárquica ou em rede;

· as actividades – devem ser de fácil compreensão e adequadas ao nível etário a que se destina e devem ser indicados no menu ou em sub-menus. Pode, ainda, existir um feedback que forneça ao utilizador informações sobre o seu desempenho.

· a interface – deve ser intuitiva (facilitando a interacção) e consistente (o design gráfico deve ser comum nos diferentes ecrãs e os menus e os botões devem surgir no mesmo local). Com estes aspectos, o utilizador orienta-se e desenvolve o modelo mental do documento

· a ajuda – deve estar sempre acessível e pode ser oral, pode ser uma combinação de imagem e som ou, ainda, tomar a forma de uma personagem específica da actividade;

· as sugestões para pais, educadores e/ou professores – por vezes, são apresentadas sugestões de exploração e actividades complementares a serem impressas (fichas);

· a impressão de um diploma – alguns softwares educativos multimédia integram esta funcionalidade que atesta os conhecimentos ou o desempenho do utilizador.

· hiperligações para sites na Web – disponibilizados em alguns softwares, este espaço contém hiperligações para sites temáticos onde é disponibilizada informação complementar para actualizar conteúdos e disponibilizar novas actividades.

· Ficha técnica – deve fazer parte de um software educativo multimédia, permitindo, em alguns casos, o acesso ao conhecimento de créditos.

· sair do software educativo multimédia – deve estar sempre acessível e o utilizador deve ser questionado se realmente pretende sair da aplicação.

Os itens apresentados permitem-nos analisar um software educativo multimédia, como um todo. No entanto, cada software possui características específicas e, por este motivo, o mesmo deve ser analisado e explorado pelo professor antes de se transformar num recurso educativo.Desta forma, um software educativo multimédia poderá ser rentabilizado ao máximo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Indicadores de Qualidade de Sites Educativos

Indicadores de Qualidade de Sites Educativos
Ana Amélia A. Carvalho (2006)
Cadernos SACAUSEF – Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e a Formação, Número 2, Ministério da Educação, (pp. 55-78)

A evolução dos sites educativos, durante a última década, tem sido crescente. Assim, identificam-se quatro fases na sua evolução:

· a primeira fase, designada por informação corrida, é caracterizada pela inexistência de design e de comunicação. O utilizador, praticamente lê a informação que lhe é apresentada;

· a segunda fase, designada por multimédia (no seu pior), caracteriza-se por um design de efeitos visuais e sonoros desequilibrado. A informação é apresentada em forma de texto com fundo musical e gifs animados, passando o utilizador a distrair-se com tanta animação. A comunicação processa-se através de correio electrónico;

· a terceira fase é caracterizada pela preocupação com o design gráfico, passando este a ser simples e interactivo. A informação é bem estruturada e acompanhada por actividades interactivas. Assim, o utilizador passa de consumidor a produtor de texto. A comunicação diversifica-se e intensifica-se, sendo efectuada através de correio electrónico, fóruns temáticos e chats de conversação;

· a quarta fase é caracterizada pela simplicidade, sobriedade e interactividade do design gráfico, sendo fácil de usar e de pesquisar. A informação encontra-se organizada para os diferentes sectores do público-alvo. A comunicação é processada através de correio electrónico, de fóruns, de chats e de áudio e vídeo conferência. A edição de textos colaborativos é facilitada e com o aparecimento das tecnologias móveis, a aprendizagem ubíqua começa a generalizar-se.

Para além dos princípios básicos estruturais de um site educativo (a navegação, a orientação, o design e a comunicação), há que ter em atenção se motiva o utilizador a querer aprender, consultar e a explorar a informação nele disponível. Assim, consideram-se cinco as componentes de um site educativo: a informação, as actividades, a comunicação, a edição colaborativa on-line e a partilha. Estas cinco componentes não são estanques, estando interligados entre si.


Para aferir a qualidade de um site educativo, recorre-se a indicadores de qualidade. Neste artigo, são propostas nove dimensões que integram os os indicadores de qualidade de um site educativo, nomeadamente:

· a identidade – onde consta o nome do site, que deve estar sempre visível, o o seu propósito ou finalidade, a autoridade, a data de criação e da última actualização

· a usabilidade - refere-se à facilidade em usar e em aprender a usar o site;

· a rapidez de acesso – a existência de hiperligações activas e a rapidez interna de acesso são factores imprescindíveis para manter o interesse do utilizador;

· os níveis de interactividade – motivam o utilizador a explorar um site. São cinco os níveis de interactividade e vão desde o clicar numa hiperligação, a exercícios com feedback automático, ao preenchimento e envio de um formulário, entre outros.

· a informação – disponibilizada em diversos formatos (texto, imagem, som e vídeo ou em formatos combinados, como as simulações, os tutoriais e os podcasts) inclui as ajudas ao utilizador e as perguntas frequentes (FAQs), as sugestões e actividades para professores e encarregados de educação explorarem o site com os alunos ou os educandos, respectivamente.

· as actividades – pesquisa orientada, jogos e exercícios com correcção automática – levam o aluno a conhecerem a informação disponível no site, ou outras temáticas complementares em outros sites afins.

· a edição colaborativa online – permitem que vários utilizadores colaborem para um mesmo objectivo. Exemplos da edição colaborativa online são os blogues e as ferramentas Wiki.

· o espaço de partilha – é um espaço em que podem ser disponibilizados trabalhos realizados pelos alunos ou pelos professores

· a comunicação – deve proporcionar fóruns de discussão, para que haja um espaço de reflexão que motive os utilizadores a regressarem ao site, bem como correio electrónico e chats, em áudio e vídeo.


De acordo com a autora, estes indicadores de qualidade estão directamente relacionados com os componentes de um site educativo e com as actuais tecnologias. Cabe ao professor seleccionar os sites que que sejam mais adequados ao tema em estudo e ao nível de escolaridade em questão. É, também, de extrema importância que o professor, para além de manter o papel de orientador da aprendizagem, seleccione os sites educativos com qualidade na Web. Com a leitura deste artigo, sinto que, enquanto professora, adquiri as competências necessárias que me permitem seleccionar um site com qualidade.